<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-32534738</id><updated>2011-04-21T21:38:26.961-03:00</updated><title type='text'>Veranda Inc.</title><subtitle type='html'>El producir. El caer y el levantar, el escribir y el borrar, solamente.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://verandainc.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32534738/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verandainc.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Madara Señorita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14920675781812877320</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2764/3558/1600/madarasenorita1.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>15</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32534738.post-116631904245052424</id><published>2006-12-16T22:22:00.000-03:00</published><updated>2006-12-16T22:30:42.466-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Perdão a todos, de fato, ainda não havia postado o "Culpa..." aqui no blog. Aí vai o conto que foi publicado na antologia do Peter Rohl:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Culpa, Culpa, Culpa...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O inverno chegava como saia, passava mesmo despercebido. Normal já. Ninguém o esperava com muita expectativa naqueles descampados-de-meu-Deus. Era sempre seca, sempre sol ardendo na carapinha dos pobres; aridez consolada, quando em vez, pelos pingos d’água recém raspados do poço esturricado, que se dispersavam pelos buracos da lata velha levada na cabeça. A única água certa era a do choro das crianças, cara de fome, boca de fome, olho de fome.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Esperar, esperavam. Querer até queriam. Por isso a reza, o choro, o terço corrido entre os dedos rotos de barro, a ida ao poço (mesmo que de lá já não se tirasse nada). Fé tinham a granel.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E quando São José permitia – louvado fosse – que, no céu, riscassem carregadas brumas, voltavam-se todos os retirantes, filhos que eram daquelas terras, atrelados que estavam, de umbigo enterrado à soleira da casa-mãe. E os que ali ficaram durante os maus bocados, punham-se a remendar latas e tambores, na sina de reter o pouco que lhes viesse.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Foi pelas secas de 45 que Valdevina Abreu arribou com os retirantes, a tentar a vida na capital. A viagem era vontade que tinha desde muito dantes, desde que o marido partira na mesma sina. O homem partiu-se e sumiu-se.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;De mala nas mãos, quis Valdevina dos filhos um derradeiro abraço e, da mãe, a benção.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;-         Deus lhe acompanhe. – saiu da boca materna como um grunhido gutural,&lt;br /&gt;daqueles que se deixa escapar sem se sentir. Maquinal.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Revestida de um orgulho épico, bateu no peito retirante prometendo assentar-se logo, mandaria buscá-los assim que pudesse. Compartilharia com eles a nova terra, nova vida, longe daqueles fundões. Houve silêncio. Aos filhos e à mãe, aquelas promessas vieram como eco, resgatando o que, pela boca de outro, já lhes soara. Não criam mais. Calados a viram cerrar a porta e ouviram aproximar-se a procissão em êxodo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;      De trouxas nas mãos, a moça meteu-se no meio das gentes e não olhou o casebre&lt;br /&gt;de taipa mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Carcomia-lhe o peito a certeza de que ninguém lhe assistia à partida e a covardia de admitir que ia por fuga. Dos sertões, da casa, dos filhos, da mãe, de si. Fuga. Motivo de quem parte, revolta de quem fica. Mal sabia ela que quem por fuga parte, marcado fica. E, por sina, fugirá sempre.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Foram léguas de caminhada tangidas por cânticos e preces; dias e dias contados nos nós das cordas que lhes atavam calças e saias. A caatinga apresentava-se arredia, indomável; os ventos quentes rompiam morros, arribando a poeira, queimando as ventas dos meninos pequenos e matando de sede as goelas setuagenárias.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Os rogai-por-nós, ê-bois e ave-marias viajavam com o vento enquanto o olho retirante perdia-se nos arredores: eram serras amarelas, de relva em fogo, qual juba de leão. A despontar pelo caminho, cumes diversos, altos e baixos que as estradas encarnadas rompiam desmedido.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E Valdevina lutava para distrair-se com a paisagem, ou perder-se pela reza, mas via a mãe em cada rogo e os filhos nas crianças sujismundas agarradas às saias. Era a culpa queimando mais que o sol, pesando-lhe mais que a trouxa. Era a culpa, que lhe virava a cabeça, lhe rondava qual urubus à presa moribunda.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O vento frio anunciou o fim de mais uma tarde e o caule retorcido da sirigüelera foi abrigo àquela noite, em que os urubus de Valdevina circundaram, circundaram.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Levantou-se. Não pôde mais com tanta dor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Largou-se a caminhar sozinha, mato a dentro. E haja ferir-se nos ramos secos sem se notar. Estava indiferente como um lazarento, que, dada a quantidade de dores, já não sabe atinar para qual lhe castiga mais. A lua alta, gorda e amarela lhe iluminava o caminho, e os urubus, urubus, urubus, sempre em volta. Apertou o passo; enveredou-se pelos ermos com avidez de negra fugida. Desnorteada, já não lhe importava a direção; tudo lhe vinha turvo, banhado em nuanças de amarelo e breu. Gordura da lua.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Pouco mais, viu-se a correr (...) e o corpo cansado, num assomo, foi ao chão. E, em prantos, odiosa que estava de si, resfolegava: “Ele pôde, e eu não pude. Ele pôde e eu não pude”, lembrando o marido. Sim, já atestara não poder mais com tamanho verme lhe comendo por dentro, sorvendo-lhe a vida, a começar das entranhas. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“Não pude”, lembrando o marido.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“Não pude”, lembrando os filhos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“Não pude”, lembrando a mãe.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E, já morta de alma, deixou aos urubus, urubus, urubus o oficio de rasgar-lhe as peles, bicar-lhe os olhos, romper-lhe as vísceras.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A lua gorda deu lugar a um sol impiedoso e o vento frio da noite, a um abafado, que trouxe, de não muito longe, a notícia: e a morte inesperada de Valdevina confundiu as cabeças retirantes, mas não tanto quanto a estranha insistência dos urubus, urubus, urubus..., sempre em volta, a reivindicar o corpo.  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32534738-116631904245052424?l=verandainc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verandainc.blogspot.com/feeds/116631904245052424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32534738&amp;postID=116631904245052424' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32534738/posts/default/116631904245052424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32534738/posts/default/116631904245052424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verandainc.blogspot.com/2006/12/perdo-todos-de-fato-ainda-no-havia.html' title=''/><author><name>Madara Señorita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14920675781812877320</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2764/3558/1600/madarasenorita1.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32534738.post-116485802690084090</id><published>2006-11-30T00:38:00.000-03:00</published><updated>2006-11-30T00:40:26.910-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>E o "Culpa, Culpa, Culpa...", conto regional publicado no primeiro Canhotos - zine coletivo - e que está postado aqui no blog, foi selecionado entre os quatros finalistas do concurso Peter Rohl de literatura, será que estu feliz????&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, mmmmmmmmmmmmmmmuito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigada a todos os que visitam o blog, felicitem-se comigo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;\\\\\o//////&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32534738-116485802690084090?l=verandainc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verandainc.blogspot.com/feeds/116485802690084090/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32534738&amp;postID=116485802690084090' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32534738/posts/default/116485802690084090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32534738/posts/default/116485802690084090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verandainc.blogspot.com/2006/11/e-o-culpa-culpa-culpa.html' title=''/><author><name>Madara Señorita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14920675781812877320</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2764/3558/1600/madarasenorita1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32534738.post-116485678927820349</id><published>2006-11-30T00:12:00.000-03:00</published><updated>2006-11-30T00:19:49.290-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;span style="color:#996633;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;F&lt;/span&gt;ique.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;“Fique – disse-lhe – fique um tanto.” &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;E não teve mais o que dizer. Engasgou-se de todo. Num silêncio morno, imperou certo movimento leve de retenção, tal qual uma cadela, rabo entre as pernas, metendo-se pelos cantos da casa. Aguardou ensimesmada. Nos olhos – de escuras extremidades, entretanto, erguidos de relance, morava brilho de significância tão real quanto palavra, tagarelavam aquelas pupilas alagadas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Arrastou os pés descalços – alvos, finos e novos - no tapete encarnado, procurando as alpargatas. Tocou com o mindinho o suor do White Horse e assustou-se da gelidez. Entreteve-a olhar o copo já cambaleante, um tanto duplicado e lento, em sua ótica ébria, escondeu-a por alguns segundos, poupou-a do transtorno dele, a repará-la do alto, sisudo, distante e áspero.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Notou, entretanto. Como não sentir sobre os ombros arqueados o jugo daquele olhar desdenhoso e crepitante? E, naquela postura, acachapada, prostrada - ainda que pela busca do calçado - tão alta, achou-se miúda; tão alva, suja; tão nova, velha; medíocre e insignificante diante daqueles mocassins 44, calça caqui, blazer e indiferença. E odiou o “Fique” cuspido. Maldita teimosia não o ter calado com White Horse.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Não se pôde saber quantas horas o havia esperado, hesitara em admitir ao espelho, à foto de casal. Copo à mão, revirava-se numa indiferença de vadia, que era mentira, mentira que o aguardava. Cantava alto Fagner, rebolava faceira a barra da saia e sentia-se assim madama novamente.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;“Um dia vestido de saudade viva faz ressuscitar...”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;O confidente era esguio, dourado e ornado. Esbelto, refletia-lhe o corpo todo. Cabia-lhe inteiro no espelho o corpo fino de moça branca e lânguida, qual gaúcha sem o ser. Outro gole, olhos neles. No espelho, na janela.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Do não muito alto do segundo andar, reparou o sedan a recostar-se macio. Foi pelas frestas da cortina de jérsei que reparou duas silhuetas a se tocarem vertiginosamente, a se possuírem, desvencilhando cintos, esquivando marchas e direção. Era ele. Ele e aquela.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Outro gole, outro gole. Não, que não podia terminar assim. Assistiu ao coito austera. Ambos gozaram rápido, como num susto-espasmo, curtido por alguns segundos – ele mãos enleadas nos cabelos daquela, esticado, nervoso. Aliviou-a um tanto e a enfezou em segundos: gozava rápido assim consigo? Demoravam mais até onde lembrava... E não seria essa a vantagem da vagabunda? Significaria mais prazer em menos tempo?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Fim de copo, mas não de gelo. Beberia só até aquelas pedras derreterem, que não as desperdiçaria. E sinalizou positivamente com a cabeça a si mesma, num elogio à sensatez.&lt;br /&gt;Significaria mais prazer em menos tempo? Permeava-lhe a cabeça tal qual o fluido caramelo ao copo largo e suado. Conferiu novamente por entre as cortinas de jérsei: já haviam se refeito. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Ninguém mais ao veículo. Deveria estar subindo as escadas, excomungado... e ele nem pra leva-la (a moça) em casa, ou no ponto, se fosse meretriz... bem conhecia sua falta de cavalheirismo, sempre assim, sempre assim, desde a faculdade. Um bruto. Não fosse a safadeza instigante e a beleza inquestionável, jamais se teria permitido – jamais. A mãe insistira: bom rapaz, muito bom rapaz, dissera. Um bruto. Mal sabia ela. Ou sabia? Desconfiava que a mãe conhecia mais dele que ela mesma, que aquele irmão arranjado numa longa viagem tão repentina tinha uns olhos um tanto quanto familiares. Que se danassem os dois. Cantava o Fagner.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;“ ...casas mal vividas / camas repartidas / vão se revelar...”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Tendo chegado ele, girado a maçaneta e entrado tão imponente, cínico e satisfeito, irritou-se ela de estar bêbada já. Queria vê-lo sóbria, dizer-lhe umas verdades sóbria(s), chutar-lhe fora.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;“Saia.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Isso mesmo o que ele disse, assim num susto.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;“Como?”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;“Saia. Vá daqui.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt; Ela mesma o poria porta afora, se lhe pertencesse o lar; e sentiu ódio dele por tê-la roubado o pensamento, por tê-la forjado a atitude – importante era sabê-lo nem ser tão original assim.&lt;br /&gt;E ficou abestalhada, qual barata tonta, a saracotear pelos cômodos, enquanto ele esperava-a de pé, na sala, segurando a porta entreaberta. Não se moveu. Assustou-a não ter ele retirado sequer o casaco - hábito religioso, cultivado bem no carpete da frente -, a gravata intacta cingindo-lhe a goela, nenhuma saliva engolida de insegurança: não é que o maldito estava mesmo decidido?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Esperou-a pacientemente compreender que deveria arrumar as malas, não fora sempre assim, entretanto. Antes enxugou brusco o suor que lhe empapava a face vermelha, o pingo pendente no canto das têmporas, e invadiu o quarto, puxando-a pelos cabelos. Torceu aqueles tufos alourados no punho firme e deu-lhe na cara alva, sangrou-lhe o rosto, arroxeou-lhe braços e pernas: murros e quinas de mesa, pernas da cama e o balcão do bar. Tê-la-ia possuído se já não estivesse farto - que volúpia e ódio têm decerto uma só gênese, são paridos mesmo no ventre da violência, gozam dela o vigor e a ânsia antes de se darem a gozar.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;E o Fagner.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;“Quando a gente tenta / de toda maneira / dele se guardar...”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;E ele, um tanto depois, algodão à mão.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;“Deixa ver esse nariz.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Sentiu-se dolorida como de uma bofetada com aquelas diligências. Mas ele só podia estar bebido, para um disparate desses! Aproximou-se dela cauteloso, diminuíram-se as distancias no sofá de três lugares. Ela, a subir pelos braços da poltrona, quis lutar – exausta e temerosa condescendeu, no entanto.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;“Não fiz por mal...” – todo pai – “... nada de mais.” – toda feito um cachorro.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Com o algodão embebido em álcool o dedo morno e dedicado lhe tocava. Dedo de homem. Mãos de homem. E achou-se segura, cuidada. Calmaria naqueles olhos apertados de doutor, sério, distinto.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;“Saio eu esta noite. Vais tu amanhã cedo.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt; O Fagner.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;“...sentimento ilhado / morto e amordaçado / volta a incomodar.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;E ela.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;“Fique – disse-lhe – fique um tanto.”&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32534738-116485678927820349?l=verandainc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verandainc.blogspot.com/feeds/116485678927820349/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32534738&amp;postID=116485678927820349' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32534738/posts/default/116485678927820349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32534738/posts/default/116485678927820349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verandainc.blogspot.com/2006/11/fique.html' title=''/><author><name>Madara Señorita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14920675781812877320</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2764/3558/1600/madarasenorita1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32534738.post-116192221906510747</id><published>2006-10-27T01:06:00.000-03:00</published><updated>2006-10-27T01:10:19.076-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#003300;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Protesto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Meteu-se nuns desesperos – aliás, nunca tidos – de não poder mais sozinha, e aporrinhou-se do sol que lhe afogueava os dedos do pé. Pôs-lhes à sombra. Cantava amarga marchinha, bem aquela que o pai entoava à beira da rede sacudida: os espasmos da pequena – tamanhos os cansaços, que lhe saltavam os olhos, encarnavam as faces; a mão era espalmada, agarrando com os toquinhos de dedos – pálidos do aperto – os punhos da rede, escalava num desespero afônico e gutural: vento, vento, sopro.&lt;br /&gt;          &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#003300;"&gt;E os pés sempre queimados de andar descalços. Reparava-os agora, eram quase toda sua paisagem. Pois não foi que se tornaram mesmo grandes, longos e abertos? Bem que ela disse. Pior que a asma, admitir a razão dela. Pior.&lt;br /&gt;       &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#003300;"&gt;   Ela, a bem quista, a princesinha; pior que a asma enxergá-la a esses modos. Quando as cunhãs bordadeiras de muito tempo elogiaram, certa vez, a peça dela, pipocou:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#003300;"&gt;- Bordasse um mandacaru, ela. Dava mais certo. Aquela lá não dá nem sombra nem encosto. Mesmo que um mandacaru. Espinha. – pior que a asma enaltecê-la.&lt;br /&gt;        &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#003300;"&gt;    E quantas vezes o espinho da Mandacaru não lhe ferira. Quantas vezes, não o dedo, mas o coração.&lt;br /&gt;          &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#003300;"&gt;  Agora, padecendo daquele estado, tendo voltado os punhos pinotantes dos tempos de criança – guardada que estava a rede de sempre, justo para o mais que previsto retorno dos cansaços -, agora, quando os dedos iam engelhados na corda desbotada de alvejante à hora das crises, agora, em que era um bolo enrugado na alcova espremida e calorenta, lá se vinha a Mandacaru dar-lhe beberagens na boca, lambedores, e haja caldo, mastruz, gengibre e mande vê mesinha da cidade e isso e aquilo pr’a mode a asma se curar. A Asma se curar.&lt;br /&gt;          &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#003300;"&gt;  Mandacaru não dá sombra nem encosto – insistia a Asma lá por dentro. E enfezava-se daquelas caridades.&lt;br /&gt;         &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#003300;"&gt;   Encolheu os dedos. O diabo do sol ainda escorria pelos buracos da telha, pinicando de mil holofotes a alcova escura. Eram aqueles círculos que lhe afogueavam os pés gelados, quietos – estafados – agora, depois da crise. Chutou-se a não mais poder daquela vez. Fora aqueles mesmos círculos que, no debater-se ensandecido de há pouco, de esperança que lhe rasgasse os pulmões um filo de vento, vira a dançarem frenéticos diante de seus olhos pastosos: à procura dela, certamente. Escarneciam, podia jurar.&lt;br /&gt;          &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#003300;"&gt;  Assim, enquanto amaldiçoava buraco por buraco, pensou no quanto o sol insistia em se meter na vida dos outros; no quanto não se contentava em deixá-los quietos em seus cantos a morrer frios e pálidos, mas se alastrava frestas, caibros, rebocos e telhas numa ânsia imunda de clarear tudo. Lembrou-lhe Mandacaru. E teve asco.&lt;br /&gt;           &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#003300;"&gt; A rede infante, certo dia, parou. E os punhos que suportaram Asma clamando sopro, ainda o fizeram tendo se dado seu último – assistiram-lhe, na verdade. O cortejo cedo chegou à casa, rezar a morta. Botou-se lágrimas e engoliu-se o consolo de nunca terem visto aquela mulher deitada tão tranqüila, sisuda ainda – no entanto. Sisuda, sempre. A moléstia pusera-lhe assim, diziam, maquiando os espinhos tão bem sabidos quanto a asma da coitada.&lt;br /&gt;          &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#003300;"&gt;  Pelo meio-dia, em preto, Mandacaru apareceu. De mãos dadas – de posse – do viúvo, entre longos soluços pediu que trouxessem a rede fora, seguissem procissão de uma vez. Não largava as mãos grossas do rapaz, comentavam.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#003300;"&gt;Deslize no translado ou empenho último da falecida, tendo-se achegado a caçula, Mandacaru, ao caixão, sob o sol a pino da hora que parte o dia, Asma virou-se de bruços, contaram! E assim enterrou-se, disseram.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#003300;"&gt;Não havia quem a arrumasse no caixão, podiam jurar.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32534738-116192221906510747?l=verandainc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verandainc.blogspot.com/feeds/116192221906510747/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32534738&amp;postID=116192221906510747' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32534738/posts/default/116192221906510747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32534738/posts/default/116192221906510747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verandainc.blogspot.com/2006/10/protesto-meteu-se-nuns-desesperos-alis.html' title=''/><author><name>Madara Señorita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14920675781812877320</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2764/3558/1600/madarasenorita1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32534738.post-116027947100214431</id><published>2006-10-08T00:48:00.000-03:00</published><updated>2006-10-08T00:51:11.010-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;color:#33ccff;"&gt;Marolas&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#66cccc;"&gt;         Talvez da Mama tenha herdado hábito de relacionar, à praia, descanso. Era fartar-se das costuras p’ra pedir o litoral feito criança, a pobre Mah. Ou isso ou casa de avó, de tio, de primo de sei-lá-que-grau: residências interioranas de vento, quintal, leite fresco, rede, alpendre, conversas ao pára-peito.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#66cccc;"&gt;&lt;br /&gt;         Caminho arrastando comigo areia morna, o céu é limpo esse domingo, não sombreia de brumas as águas verdes. E penso como minhas débeis pernas de outrora conseguiam manter-se firmes mar adentro. Venho à praia desde que por gente me entendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Rememoro sem dificuldade minhas varetinhas indo, sem medo, areia fina, areia ensopada, água rasa e, finalmente, vacilando paredões de espuma branca que se formavam e ruíam ante meus olhos infantes. Arrastam-me areia entre os dedos, ondas seguidas. Não é fácil adiantar-se agora. Quando menor, avançava mais. Punha-me cara a cara com os paredões, testemunhava-lhes austera o parto e a morte, parto e morte, e sentia-me pujante.&lt;br /&gt;      &lt;br /&gt;  Quantas coisas mais não fiz melhor quando criança, a quantas mais não me adiantava? Crianças temem menos. Esquecia tudo tão logo o avistava – imenso – ao longe. Que eram das provas de aritmética, das solidões à hora do recreio, das companhias indesejáveis de fim de semana? Nada. Ficavam à margem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         É domingo, penso novamente, e o mar cata e devolve, não como nos dias da semana, mas sacramente idêntico aos domingos, por que ao primeiro dia dos sete infindáveis, ele cata e devolve diferente; mergulho e estatizo. Olhos fechados, deixo-o catar-me e devolver-me. Leva-me amnésia adentro e traz-me rotina afora. Mergulho: adentro e segunda, terça, quarta – retorno. Mergulho: adentro e nutricionista, texto, fichamento. Mergulho: esquecimento de amanhã e faculdade, projeto, pesquisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Crianças lembram menos. Ponho-me de pé. Mah chamou-me ao longe. Minha vida precisa de mim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32534738-116027947100214431?l=verandainc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verandainc.blogspot.com/feeds/116027947100214431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32534738&amp;postID=116027947100214431' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32534738/posts/default/116027947100214431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32534738/posts/default/116027947100214431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verandainc.blogspot.com/2006/10/marolas-talvez-da-mama-tenha-herdado.html' title=''/><author><name>Madara Señorita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14920675781812877320</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2764/3558/1600/madarasenorita1.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32534738.post-115906936981097124</id><published>2006-09-24T00:32:00.000-03:00</published><updated>2006-09-24T01:14:52.890-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="color:#6666cc;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sempre o Tempo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#6666cc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;À Débora Medeiros, sempre.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="color:#6666cc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#6666cc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#6666cc;"&gt;É sempre o tempo que nos põe afastados, sempre ele. Quando nos falávamos noite passada, não demorou até que as horas nos engolissem. A meia-noite se apresentou e nos fechou a cortina no meio dos olhos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#6666cc;"&gt;Serenou lá fora. Não choveu, entretanto. Lamberam as janelas os pingos d’água, suaram-lhes somente, e a hora que reparte a noite em madrugada soou no relógio centenário da sala. Despedi-me com os olhos em sereno, tardava já.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#6666cc;"&gt;Revê-lo tinha sabor de novo dia, de manhã na praia, de afago, borboletas no estômago e mãos em neve. Restava-me decorar-lhe o rosto com o indicador, que era retê-lo eternamente, desenhá-lo na memória em carvão e giz, adormecer na doce certeza de lembrá-lo ainda detalhe per detalhe ao despontar do dia; seus olhos, a procura com afeto; seu colo, minha guarda, meu escudo, minha lança. E era tê-lo em meus braços assim perfeitamente para quebrantarem-nos as doze horas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#6666cc;"&gt;O vento rebentou pela porta, sacudiu os cercados e as hastes resfriadas do maracujá. Era inverno. Vento, leva-o, vento! Frio, contém-no, frio! Toma alguma providência com esse tempo de ninguém!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#6666cc;"&gt;Esteve à porta pontualmente: nove. Vinha num casaco escuro de brim, os fios se entrelaçavam cordialmente tal qual apertos de mão; atado numa gravata púrpura, distinta; todo boina e luvas de carpete, nas cores do casaco. Estava belo e sereno feito a lua clara, insistente entre as brumas de inverno; sorria faceira e, ele, encantador. Pedi-lhe que entrasse, revi tristemente o centenário e desmoronei-me por dentro, por dentro sempre.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#6666cc;"&gt;Conversamos naturalmente. Nunca era-nos a mesma coisa, perguntar-lhe o cotidiano me vinha tão mergulhado em novidades que não me continha, de felicidade nos olhos cristalizava. Eram um romance indiano de guerreiros, deuses e nativas - lindas mulheres de cabelos negros e olhos idem -, temperado à canela, cravos e pimenta as aventuras marítimas que ele se dispunha a narrar e as estórias que se me despertavam. E apesar de não haver ligação alguma entre ele e as Índias, gostava de pensar que as laranjas que me trazia do porto exalavam qual romãs.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#6666cc;"&gt;Era pescador, mas não cheirava a salmão. Pela manhã, exalava sol de cedinho, areia de praia, mar e céu azuis. Ao cair da tarde, banhado e recomposto, cheirava a lírios, a mel de flor silvestre; grave, acetinada e envolvente que é fragrância masculina, um tanto azeda, um tanto doce. Transformava o colo dele em acalanto e me convidava a deitar. Pedido irrecusável o perfume de um homem.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#6666cc;"&gt;Falei-lhe, neste dia, de meus devaneios indianos e recriei a pedido o cenário de lagos, várzeas, elefantes, cores e olores de incenso em que se avivavam nossas aventuras. Saris, turbantes e tapetes, de repente, nos transportavam da sala mórbida para o ostentoso Taj Mahal muçulmano, construído para a amada, pelo amado. E ele me tomava as mãos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#6666cc;"&gt;- Farei um para ti, queres? Verás! Melhor que o do Sultão! – e nos ríamos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#6666cc;"&gt;Nos casaríamos segundo os preceitos hinduístas, ao som de mantras, oferecendo juntos no templo uma chama, símbolo de amor e gratidão aos deuses. E me ofertava, as mãos em concha, uma flor de lótus imaginária, não sem seus risos gostosos de encantamento. E naquela gargalhada meu sol. Euforia rebentava-me por dentro, numa certeza de estar onde sempre quisera. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#6666cc;"&gt;E do sorriso fez-se o pranto, assim de repente. Era riso e, num assomo, soluço morno, contido. Agradeceu-me veemente as carícias que lhe eram cada uma das palavras daquele dia, os desejos de nos sumirmos completamente da monotonice. Deitou-me um olhar pastoso, apertou-me contra o peito num desespero infante e falou do vento. Uma outra vez.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#6666cc;"&gt;Línguas infantes - gélidas, pálidas - sussurravam à entrada, afogueavam o capim verde e me inclinavam as cercas pros lados do norte. Da terra ao mar, sopravam; da terra firme ao oceano, lambiam; da casa - casa minha, berço meu - ao litoral errante, tangiam. Buscavam-lhe à porteira.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#6666cc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#6666cc;"&gt;- É tempo já. – olhou-me com olhos de “vou-me”.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#6666cc;"&gt;E, por um momento, apertou-me o peito a certeza de que não mais veria aqueles olhos, nem os de “eis-me” tampouco os de adeus.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#6666cc;"&gt;Doze horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#6666cc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32534738-115906936981097124?l=verandainc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verandainc.blogspot.com/feeds/115906936981097124/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32534738&amp;postID=115906936981097124' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32534738/posts/default/115906936981097124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32534738/posts/default/115906936981097124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verandainc.blogspot.com/2006/09/sempre-o-tempo-dbora-medeiros-sempre.html' title=''/><author><name>Madara Señorita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14920675781812877320</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2764/3558/1600/madarasenorita1.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32534738.post-115832886457717652</id><published>2006-09-15T10:55:00.000-03:00</published><updated>2006-09-15T11:01:04.593-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Pavios&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;Os pavios ainda fumegantes perpetuavam de alguma forma as visitas do dia anterior. Fora finados. As lápides, asseadas, ainda reluziam alvura ao sol das nove.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;Intrigava-lhe o costume ocidental de enterrar seus mortos, a possibilidade de analisar um defunto sócio-economicamente pelo glamour da lápide, mas não mais que isso. Por mais afeito que fosse à arte de pensar, repudiava filosofias de auto-ajuda, efemeridade da vida, imprevisibilidade da morte.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;Talvez por isso, naquela manhã, sentado à beira do túmulo paterno, vulnerável a recordações e sentimentalismos, sentiu-se um tanto estúpido.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;- Pai, ora veja, não sou dessas coisas! – protestava, vez por outra, ao túmulo. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;De fato, não havia modos de conter-se. Buscava distrair-se, impor arreios ao pensamento, lembrar futilidades... o vento, entretanto - vagaroso e soturno entre as covas –, quebrava nele qual maré, afogando-o nas mesmas questões: vida curta, tempo curto, dinheiro curto...solidão; casa pequena, família pequena, filho criado, mulher ex...solidão; trabalha-se o mesmo, vê-se o mesmo, come-se o mesmo, conhecesse-se o mesmo, sai-se o mesmo, bebe-se o mesmo, transa-se o mesmo....solidão.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;E se chegasse hoje? A morte, se chegasse?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;Zangou-se.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;Calculou que, se viesse, viesse mesmo, seus dias já não seriam iguais. E nunca houvera quem venerasse a rotina mais que ele. Sacudia a cabeça negativamente na tentativa vã de repelir o pensamento.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;A manhã jazia e a tarde começava a findar-se quando decidiu ir embora. Antes, novamente o vento soprou e aí pensamentos, pensamentos, pensamentos... não sem lágrimas - discretas, decerto - confessou ao velho:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;- Temo a morte. Venceste. Foste mais forte que eu.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;Sôfrego, sentiu por um momento não ter forças para encarar o fim da vida tal qual o início e o meio. E já cansado de lutar consigo mesmo, com seus princípios de homem de meia idade - taciturno e, por vezes, boêmio – deixou retumbar dentro de si idéia que até o fez feliz:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;- Preciso casar.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;(E constrangeu-se por pensar na vida onde sobrevivia a morte.)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32534738-115832886457717652?l=verandainc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verandainc.blogspot.com/feeds/115832886457717652/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32534738&amp;postID=115832886457717652' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32534738/posts/default/115832886457717652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32534738/posts/default/115832886457717652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verandainc.blogspot.com/2006/09/pavios-os-pavios-ainda-fumegantes.html' title=''/><author><name>Madara Señorita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14920675781812877320</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2764/3558/1600/madarasenorita1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32534738.post-115791756235466731</id><published>2006-09-10T16:36:00.000-03:00</published><updated>2006-09-10T16:46:02.376-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;CONCEIÇÃO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;            &lt;span style="color:#996633;"&gt;O casebre, de taipa, mísero, agreste, a viu sair em pleno meio-dia a cumprir sua sina. Quem? Conceição. Mísera e agreste feito a casa, que habitava desde menina, que agora a via sair, ir-se, sem volta.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#996633;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;            Era menina, moça ainda, Conceição. Esquecida naquele meio do nada sertanejo. Rota. Mas bonita, jeitosa, sadia (assim diziam os homens).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;            Discutira com o pai àquela manhã. Ofenderam-se. Magoaram-se. E as paredes do casebre estremeceram ao soar do veredicto paterno, assim rápido, cuspido, ejaculado: que se fosse, que fosse embora de uma vez.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;            Conceição, forte, conteve valente o pranto aparentemente indócil, amarrou-o no íntimo, desatando-o tão somente no quarto, o chacoalhar da cortina de miçangas (porta do cômodo) mascarou um primeiro soluço. Correu-lhe o choro revolto. Mas diante do velho - maldito! – não choraria, nunca, nunca. Sentou-se, inabalável, austera, à cama gasta. Deixou-se estar por um instante. Remoeu, contra vontade: vá daqui! – sentenciara o pai - saia! – ecoara no casebre, estremecendo as paredes.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;            A casa, mísera e condoída, viu chegar á surdina o irmão caçula: pôs-se estático a observar a irmã. Atento. Um nó a apertar-lhe a garganta.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;-         Puta – deixou sair, correr a casa, como facão descourando rês, lento,&lt;br /&gt;Cortante, direto, incisivo.&lt;br /&gt;-         Que disse?!&lt;br /&gt;-         Pai que disse. Que tu era puta.&lt;br /&gt;Conceição irou-se. Emudeceu, trancou-se ainda mais.&lt;br /&gt;-         Vai s’imbora?(...) tem de ir mesmo. Aqui vai fazer vergonha a nóis.&lt;br /&gt;-         Ai é? Apois a puta vai s’imbora sim. Só quero é ver como é que vai ter&lt;br /&gt;Comida nessa casa, que o pai bebe tudo o que ganha!&lt;br /&gt;-         Eu vô trabalha&lt;br /&gt;-         Tu é menino. Só corre, come e dorme, quem é que vai te dar sirviço que&lt;br /&gt;preste? Vai trabalha lá nada! Vão viver é de esmola ou cumendo a lavage dos porco.&lt;br /&gt;-         Trabalho sim, e ganho dinheiro direito(...) sem ter de dar nada meu a&lt;br /&gt;ninguém.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ergueu-se súbito da cama, vontade louca de bate-lo. Mas de que adiantaria?&lt;br /&gt;Tinha razão, ele. Limitou-se a tirar do armário a velha canastra.&lt;br /&gt;-         disse certo – largou na mala uns vestidos, o espelho(herança da avó), o&lt;br /&gt;pente, o batom encarnado – dei do que era meu. E tu e o pai cumeram do meu lucro. Agora, neguim, vão morrer de fome...que eu vô dar do que é meu noutro lugar.&lt;br /&gt;Guardou, por fim, o vidro de colônia; arrumou os cabelos, enxugou a&lt;br /&gt;última lágrima teimosa.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;            O casebre, de taipa, mísero, agreste, condoído, a viu sair sob o sol do meio-dia. A cumprir sua sina. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#66cccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#660000;"&gt;*Escrito Há muito tempo...Não liguem a falta de tecnica, de jeito, de vocabulário...a falta de tudo! =P ... É por isso que blogs me desconsertam.... sinto-me forçada a atualizar e acabo postando essas coisas antigas e mal feitas...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32534738-115791756235466731?l=verandainc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verandainc.blogspot.com/feeds/115791756235466731/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32534738&amp;postID=115791756235466731' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32534738/posts/default/115791756235466731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32534738/posts/default/115791756235466731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verandainc.blogspot.com/2006/09/conceio-o-casebre-de-taipa-msero.html' title=''/><author><name>Madara Señorita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14920675781812877320</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2764/3558/1600/madarasenorita1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32534738.post-115714326822573976</id><published>2006-09-01T17:30:00.000-03:00</published><updated>2006-09-01T17:41:08.240-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2764/3558/1600/croc_ladeira_igreja.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2764/3558/320/croc_ladeira_igreja.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;Lua&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt; &lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;e&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Estrela&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000066;"&gt;Menina do anel, de lua e estrela, raio de sol, no céu da cidade,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000066;"&gt;Brilho da lua, noite é bem tarde, penso em você, fico com saudade,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000066;"&gt;Manhã chegando, luzes morrendo, neste espelho, que é nossa cidade&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000066;"&gt;Manhã chegando, luzes morrendo, neste espelho, que é nossa cidade&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000066;"&gt;                                 Mas deixo ao destino, deixo ao acaso, quem sabe eu te encontro, &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000066;"&gt;       de noite no baixo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000066;"&gt;Brilho da Lua...&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000066;"&gt;Deixo-lhes por hora esta canção, que certos momentos são cristalizados em poesia, outros, em música. E a este prefiro, perdão aos poetas, mas me inebria mais o coração. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32534738-115714326822573976?l=verandainc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verandainc.blogspot.com/feeds/115714326822573976/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32534738&amp;postID=115714326822573976' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32534738/posts/default/115714326822573976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32534738/posts/default/115714326822573976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verandainc.blogspot.com/2006/09/lua-e-estrela-menina-do-anel-de-lua-e.html' title=''/><author><name>Madara Señorita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14920675781812877320</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2764/3558/1600/madarasenorita1.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32534738.post-115639081432812221</id><published>2006-08-24T00:36:00.000-03:00</published><updated>2006-08-28T08:59:39.636-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2764/3558/1600/beijo.2.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2764/3558/400/beijo.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#999999;"&gt;&lt;strong&gt;Ela - o outro. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Quantas mais dessas estórias terão por nome ideal Estranheza. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#666666;"&gt;Ela se dispôs a beber depois do feito. Beijara-o mansamente, num ímpeto de descoberta - de vez primeira - sorvendo dele, buscando, sabor de começo. Compreensível, até elogiável - puramente romântico. Byroniano, não fosse o pensamento no outro. Na outra pessoa. Esta, que lhe visitava inconvenientemente quando em vez; ela, que lhe soprava ao ouvido no ócio da condução; ela, para quem disfarçava, mascarava; ela, com cujos abraços se contentava; ela, quem fantasiava antes de dormir. A outra pessoa. Beijá-lo - ao ele - àquele dia, naquele momento - meia-luz, frio noturno, escada do prédio - daquele jeito - ninguém por perto, cena de filme e o pensamento noutro - fora a gota d'água. Beijara-lhe os ombros morenos lembrando os alvos, deitara neles maciamente os lábios, sorvendo-os com cautelas e vagarosidades de primeira vez; correu-lhe o pescoço moreno em uns trejeitos de resistências, em mudos pedidos de licença ao lívido imaginário. Avançou pela nuca. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#666666;"&gt;Tomar nas mãos os fios curtos de cabelo querendo senti-los longos, quedando aos cachos por entre seus dedos, deu-lhe asco. A culpa inevitável. Afastou-a prontamente. Quem? A culpa, que a outra pessoa não lhe era possível nem apetecível repelir. E deu continuidade à ilusão, lambuzou-se nela. E beijou aqueles lábios, tão mais grossos e vermelhos e quentes que o da outra, forçando-se a sentir os finos, rosados e frios. Fez questão de tê-los e não àqueles, que já estava mesmo entregue ao devaneio, já o assumira interiormente e gozava agora a admissão lá por dentro de si, reinando eufórica, em festa, não sem um tanto de angústia - como em toda boa forra. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#666666;"&gt;Foi-se ele, ficou ela. ela e Ela - a outra pessoa. Amava-o - a ele - por demais, incontestavelmente. Queria-o como a ninguém, tinha planos e era seguramente feliz ao seu lado. Pediu às portas do térreo que lhe pedissem perdão por ela, não tinha modos de se escusar pessoalmente. Como explicá-lo que o amava incomensuravelmente e, no entanto, àquela noite, era Ela - o outro - quem a poria, em pensamentos, para dormir? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#666666;"&gt;Não deitou, entretanto, sem um gole de Rum.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32534738-115639081432812221?l=verandainc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verandainc.blogspot.com/feeds/115639081432812221/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32534738&amp;postID=115639081432812221' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32534738/posts/default/115639081432812221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32534738/posts/default/115639081432812221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verandainc.blogspot.com/2006/08/ela-o-outro.html' title=''/><author><name>Madara Señorita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14920675781812877320</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2764/3558/1600/madarasenorita1.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32534738.post-115577718379926315</id><published>2006-08-16T22:08:00.000-03:00</published><updated>2006-08-16T22:13:03.813-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#663300;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Vinho&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;“Que não me oponho às tuas fissuras já é sabido, não te ponho mais limites, que queres mais?”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Descolou os lábios dos peitos cálidos da rapariga. Pareceu contrariado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;“E extraídas essas tuas maquilagens de pudores com as quais te pintaste a semana inteira, só há carícias e a mostra de umas tuas carnes, era isso que escusavas de mim? Não – desdenhou o galego – deve haver muito ainda...!”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E voltou ao ofício devoto.&lt;br /&gt;Reparava-o a moça. Reparava-o. Assim despido, o lombo encarnado pelas línguas da lareira, debruçado sobre ela, naqueles lençóis gastos de jérsei, lembrou-lhe tão mais um animal sedento e um tanto patético, que um homem feito, de posses, nome, papéis e panos passados. Apertou-lhe num espasmo os fios loiros.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;"Não me mordas assim!"&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Olhou-lhe contrito o homem. Era o mais que lhe podia fazer, simular um pedido de perdão, que aquele sorriso dissimulado e aquelas carnes em febre já anunciavam a desobediência iminente.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;"Há muito que tu não conheças, mas que te interessaria?! Não passas dum animalejo, dum bruto!”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Espasmos. Contrações. Indiferença.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;“Se queres mais de mim, por que não me perguntas, homem?"&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;"Tu não sentes?! - aporrinhou-se - Não podes ao menos calar-se e fingir-se interessada nisto que estou te fazendo!"&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Trazia o rosto em fogo o galego, golfava puto e a moça, contrariada, entediada daquelas investidas, daquele corpo pesado lhe roçando frenético, enfadou-se de deixar por menos - meteu-se a ferir-lhe o ego de cão.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;"Se te pareço dormente, é culpa tua, não minha! Tu é que não fazes teu serviço direito. – insultou - Não me embriagas, não me excitas, - e num riso de vadia - nem ao menos me eriças o pêlo dos braços."&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Pensou ter-lhe castrado a rapariga. Irou-o, entretanto. Mal soube ela o disparate a que se atrevera.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;“Pois tu, amaldiçoada – num rouco grave, embargado de ira e gozo - és um meu vício. Feito um vinho, um conhaque, um rum. – agarrou-lhe as ancas - Vinho do porto. – enroscou-lhe a destra nos longos cabelos - Perigoso de tão doce.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;“Já disse, não me mordas!”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;“Perigoso sim... Por que se sorve!”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;“Assim não, Gaspar!”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;“Sorve...”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;“Larga-me, Gaspar! Solta-me!”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E não largou, não enquanto insatisfeito. A rapariga – presa – revirou-se o quanto pôde, estrebuchou-se em vão. Chamou pelos santos que sabia, quem a lhe acudir num ensejo daqueles? Quem a assistir tão desgarrado coito, direito e inverso, o qual o macho conduzia? E os berros, rapariga, soube-se sempre, só avivam os instintos dum bicho.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;“... e quando vê... já se passou da conta” – bufou mitigado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Descera-lhe os dentes pela pele branca. Por braços, peitos e coxas. Deitou-lhe a língua a correr pela tez morna, alvoroçada, de cativa. Tomou-a o quanto quis e como pôde. Fartou-se até deixá-la em sangue.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;“Excomungado...!”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ouviu já longe o balido estafado da presa. Continuou descendo a ladeira indiferente. Redimira-se: deitara-lhe sobre os peitos intumescidos dez contos de réis. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32534738-115577718379926315?l=verandainc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verandainc.blogspot.com/feeds/115577718379926315/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32534738&amp;postID=115577718379926315' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32534738/posts/default/115577718379926315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32534738/posts/default/115577718379926315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verandainc.blogspot.com/2006/08/vinho-que-no-me-oponho-s-tuas-fissuras.html' title=''/><author><name>Madara Señorita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14920675781812877320</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2764/3558/1600/madarasenorita1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32534738.post-115545068177740537</id><published>2006-08-13T03:02:00.000-03:00</published><updated>2006-08-13T03:39:16.736-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2764/3558/1600/do%20blog.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2764/3558/320/do%20blog.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#009900;"&gt;"Sentia-me como bêbeda, bêbeda dum mal tóxico, feito de pequenas misérias, de todas as minhas decepções e dos meus pequenos erros e fracassos a que a imaginação escaldada fazia crescer e deformava.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#009900;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#009900;"&gt;De noite tudo avulta e apavora, visto de dentro da insônia. Tudo parece hostil, como se fosse um mundo submarino, cheio de coisas viscosas e de arestas traiçoeiras, de ventosas e espinhos. Tudo é invisível, inimigo, impreciso. A alma se contagia da sombra e só vê tudo em preto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#009900;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#009900;"&gt;Como doem as pequenas humilhações diárias, recordadas no silêncio da noite solitária! E também como a gente se vinga, como abate implacavelmente, furiosamente, as forças inimigas que nos cercam, como se luta, como se vence!"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#009900;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#009900;"&gt;Raquel de Queiroz, sempre Raquel.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#009900;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#009900;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#009900;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#009900;"&gt;Trilha Sonora conveniente: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=9jfvuBLw0QM"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=9jfvuBLw0QM&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32534738-115545068177740537?l=verandainc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verandainc.blogspot.com/feeds/115545068177740537/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32534738&amp;postID=115545068177740537' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32534738/posts/default/115545068177740537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32534738/posts/default/115545068177740537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verandainc.blogspot.com/2006/08/sentia-me-como-bbeda-bbeda-dum-mal.html' title=''/><author><name>Madara Señorita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14920675781812877320</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2764/3558/1600/madarasenorita1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32534738.post-115530526454543969</id><published>2006-08-11T10:57:00.000-03:00</published><updated>2006-08-11T11:38:09.403-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:180%;color:#999999;"&gt;&lt;strong&gt;COMPULSÃO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#993300;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Fartamente rolaram-lhe grossas pela tez cândida as águas que garantira a si mesma, dias atrás, jamais viriam.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#993300;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Vieram.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#993300;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Abundantes já, lavaram-lhe o rosto tal qual fardos perolados a despencar-lhe pelo corpo, manchar-lhe a veste de casimira bordada à custa da mãe. Não tardava chegar a hora de correr as mãos pelo rosto bruscamente, enxugar o pranto, apagar vestígios. Contudo, e se, ao passar a destra sobre a face, sentisse embebida sua pele ainda no cheiro Dele? Que faria? Teve medo, que, por certo, choraria as águas que lhe restavam, secaria suas grotas, levá-las-ia e a si – quem sabe – a bancarrota, digladiando-se corpo e alma assim ligeiro e brusco a portas trancadas: olhos fechados, punhos cerrados. E o pensamento Nele e só Nele. nele? Nele. Amaldiçoaria; xingaria cheiro tão libidinoso e carnal que lhe invadia as narinas, incitando-lhe o desejo de sorver-lhe novamente. Tudo calada, calada sempre. Como quando se resignava às extravagâncias Dele. &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#993300;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Talvez um grito só, uníssono, gutural, escapasse-lhe da boca antes de cair-se exausta, estéreo de pranto, de sentido, de tudo e de nada.Minutos-horas de silêncio.Lentamente, o corpo se apieda, aquieta e condescende com as imagens difíceis de conter. Deixou-lhe vir o primeiro beijo, no sítio com os amigos; as juras de amor eterno – assim clichê - encorajadas pelo rum; a noitada, cantoria, bebedeira, em que se avivaram de ambos os instintos, consumados num ato rápido e negligente, tal qual um avexo, um mijo, um cuspe. Um tanto quanto diferente da entrega plena que ela negava, mas sonhara um dia. “Bobagem, coisa pequena”, refutava. &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#993300;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Deixou-lhe vir ainda a noite em que o beijo molhado e o vômito ao carpete da sala imprimiram-lhe o mesmo odor. Cheiro forte, bolorento, embriaguez de vodka. Ateve-se a balbucios desconexos ao ombro dela. Rapsódias, sentimentos. Pôs fora não só álcool e guarnições. E como, ainda sim, podia conter no corpo, na camisa suada, na nuca (!), cheiro bom de recomeço?Vomitara, dissera bobagens, quebrara a louça de porcelana à cozinha, mas, num abraço, tornou tão banal o que causara. Como? &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#993300;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ainda àquela noite, pensou depois, cigarro à mão – Ele, desacordado, mal coberto pelo lençol – o que diriam de ela ter admitido que Ele a tomasse, ainda que completamente bêbado. Sentiu-se suja, e lançou mão do orgulho para contornar os sentidos, pondo no rosto um semblante de poder. Dona da situação.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#993300;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;“Eu quis. Eu que quis”, tragou.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#993300;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;E ergueu-se, não tinha sono. Ainda despida, recostou-se à soleira da porta, contemplou-o debruçado; e pôs-se a pensar – persistindo com os devaneios de poder – que não Ele lhe possuía, mas ela o fazia de objeto, garantindo-o a cada posse. Num sorriso, concluiu que de nada valia enumerar as camas e corpos perlustrados por Ele ao longo daquela noite, se só ali, na cama dela corpo dela, residia seu ninho, onde caia desacordado, baixava a guarda, fazia-se menino.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#993300;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Abriu os olhos. Tomou em mãos os retratos da escrivaninha. Poucos. Momentos unicamente. Lançou-os num assomo sobre a cama e viu a casa. Sentiu-se lenta, vista turva, cabeça pesada, como depois de um porre de vinho ou trago de baseado. No lar, persistiam as posições dos móveis, jarros, cortinas – tudo tal qual Ele deixara – e o silencio-prurido que engolia o apartamento, o omitia da vida e a arrastava junto. Sentir-se pouco pra tamanho espaço fez-lhe recordar o quanto queria um filho. “me faria companhia”, comentou com ele certa vez. Que comprasse um cachorro, aconselhou-a. &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#993300;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Amargou-se. Não queria um bicho, queria um filho, fruto de suas entranhas, em quem pudesse descobrir-se nos traços, senão na personalidade; que a surpreendesse com seus trejeitos... por quem dar a vida, chorar, sofrer parecesse justo. E acordou – erguendo-se do canto – que um primogênito deveria constituir-se seu mais novo projeto, que só assim vingaria dignamente o sumiço Dele. E fez questão que fosse homem, enquanto se despia. Tomaria um banho, poria o longo incrustado com pedrarias e faria um filho àquela noite.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#993300;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Isolaria quaisquer características do pai – de quem, aliás, não lhe importava sequer o nome -, ignoraria. Por dádiva, alimentaria o filho de amores paterno e materno depurantes, fulgurantes e tamanhos que supririam dele as necessidades todas, possibilitando-lhe viver para ela e unicamente para ela. Transformá-lo-ia numa sua imagem masculina e guardaria e aguardaria por toda a vida as águas que lhe viessem reabastecer as grotas para secá-las às decepções que aquele nascido de suas vísceras lhe traria, que por ele choraria dignamente.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#993300;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Tomou a bolsa, atou as sandálias, viu o apartamento outra vez. E, girando o trinco, enfezou-se com o silêncio-prurido, ao qual dispersou num balido estridente, deixou bem claro:&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#993300;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;“Farei um filho sem você!”&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#993300;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;E acendeu um cigarro. &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32534738-115530526454543969?l=verandainc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verandainc.blogspot.com/feeds/115530526454543969/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32534738&amp;postID=115530526454543969' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32534738/posts/default/115530526454543969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32534738/posts/default/115530526454543969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verandainc.blogspot.com/2006/08/compulso-fartamente-rolaram-lhe.html' title=''/><author><name>Madara Señorita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14920675781812877320</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2764/3558/1600/madarasenorita1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32534738.post-115525708945519084</id><published>2006-08-10T21:41:00.000-03:00</published><updated>2006-08-10T23:53:24.956-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Não Sabia Se o Que Calava Era a Boca&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Chão de terra roxa. Barro prensado. O sol àquela hora da tarde cozia a taipa, encarnando paredes e assoalho. Mirava o chão, só, e não sabia se o que calava era a boca, o lábio ressequido, a vista ou os ouvidos. Era a frustração lhe talhando cego, surdo e mudo. Frêmito, correu as veias outra vez o sangue septuagenário e outra e outra, sempre mais rápido dada a fissura que lhe afogueava. As velhas pupilas - escusas num areal de rugas amarelas, embebidas na baba esbranquiçada da catarata, recortadas por finos estiletes sanguíneos - salgaram. Era limão, pimenta e sal nos olhos, turvos, queimados que estavam. Entocou na algibeira do casaco o lenço retorcido – a mão cálida, trêmula.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;A mesma destra arou os fios grisalhos da carapinha com as pontas dos dedos, lentamente, rasgava caminhos. Pareceu que punha a cabeça velha a pensar. Mirava o chão, só, o barro prensado largava-se fácil e em tempo de vento emporcalhava a casa. Comia-se poeira. Era terra deitada nas redes, na cristaleira, no fogareiro, na penteadeira... uma aporrinhação. Não tinha modos de erguer a vista. Era a vergonha petrificando a direção do olho.&lt;br /&gt;Recostou o chapéu gasto ao ventre e caducou com os pêlos já acinzentados da camurça. O suor empapava-lhe a camisa rota, encardida. Trouxe-lhe a caneca d’água uma senhora decerto também setuagenária. Levou ao cômodo, mas não lhe deu em mãos: deixou que a filha caçula o fizesse. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Recusou num esquivo seguido de um gemido bruto - gutural, sem retirar os olhos do chão. Morreria de calor e sede que a vergonha já o findara por dentro. Era ali só carcaça. Estalou o fundo da caneca retorcida na mesa de tábua. A moça não tinha modos para insistir, oferecera a água num estender de braço, mal o olhando nos olhos – por certo, a vergonha a fazia igualmente estrábica. Concentrou-se também no barro prensado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Com ela - nova, mestiça, cabelos pelo meio das costas, ancas largas e peitos fartos -, um rapazote de, quem sabe, mesma idade. Franzino, amarelo, ostentando um bigode ralo pelo meio da cara – pelada, sem ruga nem marcas. Num silêncio, o casal era todo olhos no velho, e este, no chão. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;“Busque a bassora, mulher, que o barro já se desfez em poeira.” Arrematou lento, grave o septuagenário à senhora de idade. Baixo e funestamente. Seco tal qual o dia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Afobou-se o rapazote. Catou o suor na testa amarela com a palma da mão, balançou a cabeça e bufando duas ou três vezes – num ritual semelhante ao de quem entornara meio litro de aguardente –, cuspiu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;“A gente casa, se o senhor quiser.”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;No meio da cara a cusparada do moleque se fez sentir. No meio da fronte enrugada, em fogo, do velho. Dilatou as narinas num sopro bruto e deixou o suor empapar-lhe a face. Esconder-se entre as rugas. A moça assistia, decorava-lhe a velha fisionomia austera posto que não lhe tirava os olhos. Punha-se aterrorizada. Pálida como nunca fora. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Tocando o chapéu para um lado, contemplou a moça lentamente. Olhou-a, olhou-a, calado sempre: o rosto redondo, delicado, os cabelos longos dum “negro quase azul” - assim dizia quando a tomava no colo – o corpo farto de carnes, e agora o ventre evidente, saliente já no vestido azul rendado. Não agüentou olhar-lhe muito. E a voz grossa, embargada, ecoou num ódio desmedido. Numa sentença grave, calculada, palavra ante palavra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;“A filha é minha, eu que tive.”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;E por um momento, tamanho era naquele ego cansado o sentimento de posse pela cria, que se sentiu todo ventres, úteros, óvulos e tudo o mais necessário para tê-la parido ele mesmo. Recostou novamente o chapéu ao ventre, mas agarrava mesmo as entranhas com as mãos, tentativa chão de retê-la (a caçula) ao lugar de origem. Reviu as manhãs em fogo, sol das onze, em que saía a cortar-lhe cana, derrubar-lhe cocos, arrancar-lhe matos para as beberagens – fraca que era das pernas desde a infância. Também as vezes em que lhe tomara em febre nos braços lembrou, as ladainhas gaguejadas ao punho da rede, velas acesas ao Anjo da Guarda, a São Cosme e Damião. Que lhe livrasse a filha mulher, que lhe livrasse a filha mulher.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;“Meu pai, nós quer casar...”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;“Cale a boca, Sucena!” O balido estridente, trêmulo, soara da cozinha. A luz das velas já acesas no oratório, ladeado à trempe, vacilava nas paredes, desenhava a silhueta da setuagenária nelas. Caíra a noite, mas a lua não aparecera, sequer o vento frio. Só um bafo soturno varria a casa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;“A filha é minha, eu que tive!” Ressoou socando a taipa, como a passagem de um carro de bois.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;E no calor da discussão em círculos, prolixa, alargada a mais não poder, o moço não pôde. Levantou-se – branco – da tênue cadeira de palhas e indicando o ventre da moça, bradou uma tréplica vacilante.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;“Mas o filho é meu!” &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Abortaram-lhe, sentiu o velho. Arrancaram-lhe a dentes a advinda de suas entranhas. Tiraram-lhe do peito a cria ainda débil. A noite bufou casa adentro e pôde ver o septuagenário recuar as espáduas arqueadas como num soco de carabina, erguer súbito os olhos, arregalá-los, e queimar com eles o infeliz. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Lançou a canhota grossa num espalmo sobre a mesa, o golpe reverberou seco, brusco, furioso, a caneca quedada empoçou o barro, corando-lhe em tom de vinho. Trincou os dentes, mastigou os beiços. Ninguém lhe desmamaria rês tão ansiada, onça nenhuma lhe roubaria a cria, quem dirá um perdigueiro, um vira-lata. O franzino o encarava prontamente, punhos cerrados pareciam preparar-se para a luta iminente, achou-o patético naqueles modos. Calá-lo-ia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;“A filha é minha, eu que tive. E o que tem nela, vira meu também.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32534738-115525708945519084?l=verandainc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verandainc.blogspot.com/feeds/115525708945519084/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32534738&amp;postID=115525708945519084' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32534738/posts/default/115525708945519084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32534738/posts/default/115525708945519084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verandainc.blogspot.com/2006/08/no-sabia-se-o-que-calava-era-boca-cho.html' title=''/><author><name>Madara Señorita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14920675781812877320</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2764/3558/1600/madarasenorita1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32534738.post-115525653038174509</id><published>2006-08-10T21:27:00.000-03:00</published><updated>2006-08-10T21:35:30.390-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-family:lucida grande;color:#990000;"&gt;O que demanda produzir? tempo, dinheiro, inspiração, transpiração, solidão, confusão, fé, razão... si. Demanda você. Eu, tu. Demanda ler e ler é descobrir outra pessoa. Devorá-la, explorá-la. Quem você tem explorado ultimamente? Demanda escrever e escrever é descobrir a si mesmo. Devorá-lo, explorá-lo. Como você tem se explorado ultimamente? O que mais há de você além da meia dúzia - ou meio milhão - de palavras que trocou hoje? O que há mais na menina monossilábica da sala do apartamento 602. Ocorreu-me agora... Produção é mais que lógica capitalista. Nem sempre é crescimento, e demanda nem sempre equivale à obrigação. El producir é deixar-lhe em quaisquer lugares. Ou por todos eles.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32534738-115525653038174509?l=verandainc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verandainc.blogspot.com/feeds/115525653038174509/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32534738&amp;postID=115525653038174509' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32534738/posts/default/115525653038174509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32534738/posts/default/115525653038174509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verandainc.blogspot.com/2006/08/o-que-demanda-produzir-tempo-dinheiro_10.html' title=''/><author><name>Madara Señorita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14920675781812877320</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2764/3558/1600/madarasenorita1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
